quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"



Pior do que viver rodeada por um mundo ostrancizante, masculinizado por mães, por mulheres de topo, que de frente parecem estar de perfil, de ídolos, de trends, de padrões, de folhetim, de economias de escala, de valor acrescentado, de revista porno-feminina-ou-o-que-quer-que-seja-que-não-entendo-nem-quem-as-lê  (expira...inspira e aqui vamos novamente) é, no final do dia,não nos consguirmos libertar dessa teia que nos causa tamanha aversão.
Tanta coisa para digerir e fazer a triagem da identidade, so little time!

E neste Carnaval de figurinos de papelão, tento encontrar-me, de preferência sem a maquilhagem esborratada...

No outro dia dei por mim a ler um desses exemplares na sala de espera para o dentista.
As mil uma receitas para trair o parceiro habilmente, explanadas também de forma ardilosa (reconheça-se o mérito) por uma dessas psicologas literários da especialidade...viro a página, pestanejo, mas não penso, não preciso.

Assimilo, tipo água com sabor, relembro a capa que exibe uma senhora mal nutrida, bem vestida, emoldurada por um lettering amarelo canrário, explosivo, que pretensamente nos quer relembrar desse conceito tão mundano que é ser FELIZ!Oh happy day, em que me deparei com tamanha miséria jornalistica.

Esgotam-se os tempos, esgotam-se as vontades, mas nunca a de reiterar erros sublinhados a caneta flurescente.
Senão vejamos a crise...ambiental.Sim! que para a outra, aquela que submerge este país desde 1500, já não me restam racios mentais.
Adiante...a outra...não a amante, mas a crise...ambiental...o efeito de estufa...o aquecimento global que começa mesmo aqui, no plano regional, num Novembro quase tropical (já temos o Cristo e o paredão na linha e as meninas com bun-buns e sem ritmo intelectual) ainda com um sabor á hortelã do mojito e ao sal da praia outonal.
Haja um Prius igual ao do DiCapri e outras figuras congéneres e um slogan eco-friendly, que rime com green e com planet, mas não dê tanto trabalho como a reciclagem.
Anuncia-se com alarme que dentro de 6 anos, o estado do planeta seja irreversível no que toca à queda do nosso império ambiental.
Começam a desembocar na costa australiana icebergues e a cada instante que escrevo, mais um urso polar se afoga no assustador degelo.

E eis-me aqui sentada ao computador a teclar nesta fonte de consumo energético, artificialmente alumiada...e o modem e a televisão em stand bye, só porque dava demsiado trabalho baixar-me e desligar na corrente.  Shame on me!

E falo e prego um sermão elaborado, mas afinal o que me destingue desta "world's band" concebida em três ou quatro temporadas de um reality show?!
Talvez a consciência, mas esta sem acção é tão verdadeira quanto uns Jimmy Choo by H&M.

Talvez ainda me importo,  ainda não me estou perfeitamente nas tintas para esta contagem decrescente para o fim do mundo, assim como o conhecemos.
Ainda me assusta, me comove, me aquece e arrefece e debilita a razão, e angustia estar parada, estar aqui a despender, na minha cómoda e calada insignificância.

Se isso fará alguma diferença, se revela de alguma forma?!
Tanto quanto uma gota no oceano, mas talvez assim consiga adormecer e acordar na manhã seguinte...porque amanhã há mais, pelo menos, por agora.



terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Manifesto anti-cliché


quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Cliché que fervilha: "Nunca deixes nada por dizer"



...Hoje o silêncio é de ouro, por nada me ocorrer senão o despojo desta inexistência sonora reconfortante.
Nela encontro a compreensão humana que à Humanidade foge, por um capricho orgulhoso ou um mero devaneio nocturno...

Quis a minha existência ser feita palavra e proferida em tom de desabafo...quis essa coisa intrépida, ser a verdade reflectida nos erros e nos desamores, mas sobretudo nos ensinamentos e na capacidade de entrega abednegada e corajosamente imberbe...!
Seria mais sábia se calásse o que sei, porque sinto?!
Ou se sentisse ou que sei, sem falar?!

Talvez se vivesse do temor dos cobardes ou refreada por fantasmas de um tempo ido e gasto, fosse tida como mais sensata...?!
Porventura essa sabedoria que desconheço, me conferisse a argúcia que mascara o mundo...
Mas o mundo sou eu, é tudo aquilo que vejo e mais aquilo que não me interessa ver.
É o que escrevo, mesmo quando inflige a conveniência ou nem sequer soa a criação literária.

Sou ruga e mácula e tentativas vãs, sou sucessos e revezes e tudo o quanto me trouxe até aqui.

Negar-me ao contorno do que escrevo, é mais vazio que este silêncio que me abraça a incredulidade.
Vergonha e medo sinto de tudo aquilo que é injusto...acanha-me ser só isto e receio que nunca chegue a ser suficiente...

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Cliché da discórdia: "o casamento, porque visa a procriação, deve apenas respeitar a pessoas de sexos opostos"



Dulce, this one is for you ;)

Acabámos de vir de um agradável almoço, numa tasquinha lá para os lados de não sei bem onde, mas que serve sempre de abrigo às nossas habituais tertúlias.
Junta-se a fome com a vontade de argumentar e damos por nós a esgrimir pontos de vista, como se disso dependessem as nossas vidas.
Fico sempre empolgada quando assim é: sinto que enquanto formos assim, é sinal que o nosso espírito permanece jovem, inconformado e preocupado com o que nos rodeia.
Por mais que discordemos ( e como é nítido o fosso entre opiniões!) prefiro a paixão de uma discussão acesa, que o árido conformismo.
Falámos de casamentos entre pessoas do mesmo sexo e numa coisa estamos de acordo: não caberia a este Governo legislar sobre um tema que não é, de todo, prioritário na conjuntura actual.
De qualquer modo, e porque se impõe, esbracejamos e esganiçamos o mais possível e no final, por menos que tenhamos chegado a um consenso, apercebemo-nos de que da diferença nasce o diálogo e as ideias.
E porque este post resultou de um confronto com a minha querida e estimada Dulce, passo a citar alguns dos seus pontos de vista, servindo-me deles como mote (com a devida vénia e o costumado respeito:))
Andamos todos muito eriçados a debater as orientações sexuais, quem pode e quem não pode dar o nó, quem leva o véu e quem leva o bouquet, enfim, andamos todos concentradinhos num mero capricho de uma minoria que, ainda para mais, só se lembra de ter voz activa na sociedade quando o tema lhes faz cócegas no umbigo.” – (“Ainda há lodo no Cais” –17 de Fevereiro de 2009).
Claro está que logo aqui os meus ânimos começam a exaltar-se, por me ressaltar à vista as palavra capricho, minoria e voz activa.
Não posso, de forma alguma concordar que um direito contitucionalmente conferido seja rotulado de capricho.
Há cerca de 50 anos atrás poder-se-ia achar igualmente absurdo, o direito de voto das mulheres e por alguma razão a sociedade mudou. Por absurdo ser permitir-se tamanha ignorância e arbitrariedade.
Poder-se-ia achar que ser-se mulher é uma característica congénita do ser humano e que ser-se homossexual, não o é. Venha aquele que cientificamente comprove que a orientação sexual não é mais que um cromossoma genético, ou uma traço de ADN, como outro qualquer.
Para já e segundo os últimos estudos de que tenho conhecimento, nada aponta para o contrário.
E partindo deste pressuposto, de que a orientação sexual não é uma escolha ou um devaneio, mas antes uma simples circunstância genética, vedar o acesso ao direito de casar a pessoas do mesmo sexo, é para mim tão cabal, quanto fazê-lo relativamente a pessoas de cabelo ruivo.
Para além do mais, gostaria de debater a legitimidade de negligenciar uma minoria social, como se esse entrave mental já não tivesse sido superado pela nossa Constituição e pela própria civilização ocidental.
Entraríamos no campo do absurdo, ou de uma redundante perda de tempo, se voltássemos a (des)considerar um grupo restrito de pessoas, como uma inexistência de facto.
Entre outros preceitos alusivos a este ponto, destaco o n.º2 do art.114º da CRP “É reconhecido às minorias o direito de oposição democrática, nos termos da Constituição e da lei.”
No que toca à “voz activa” deste grupo, gostaria também de referir que um homossexual, à semelhança dos demais cidadãos da Republica Portuguesa, não carrega consigo um cartaz, ou uma braçadeira ao jeito de Estrela de David no tempo da Alemanha Nazi, a auto designar-se de “Gay”, logo se alguns deles terão ou não intervindo de forma diligente na nossa sociedade, disso não sei, porque não os vigio no aconchego do lar.
Tanto quanto me é dado a conhecer, qualquer membro do Governo, ou de uma qualquer partido político, associação ou ordem religiosa, pode ser homossexual, sem que isso avulte nas suas convicções.
Arrumado este ponto, passamos ao seguinte: “Ao contrário do que ocorreu outrora (nos tempos de Harvey Milk) hoje os homossexuais não são vítimas de qualquer discriminação por parte da nossa sociedade e não precisam de absolutamente NADA para viverem em paz a sua orientação sexual. Nem sequer para "ter" criancinhas, já que as podem adoptar enquanto pessoas singulares (e ninguém lhes pergunta com quem dormem!).”
Afirmar uma coisa destas é alhear-se por completo da realidade em que vivemos.
Uma vez mais menciono a discriminação de géneros, ainda tão presente nos dias que correm. Ignorar uma realidade ríspida e injuriosa como esta, é remetermo-nos a uma cegueira deliberada.
Qualquer casal homossexual que se preze e por mais que se queira negar este facto, não é plenamente livre de ter manifestações de afecto em público, sem ser malvisto, ou assumir abertamente a sua orientação sexual quando, por exemplo, se candidata a um cargo político.
Aliás, poder até podia. O problema é que estaria, antecipadamente a assinar a sua sentença de derrota.
Quanto a adoptar “criancinhas” a título individual: será tão fácil para um homossexual, como para um heterossexual, salvo se for descoberto esse “pequeno” detalhe chamado...orientação sexual.
E sim! Também estou perfeitamente de acordo com a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, por diversos motivos.
Começando pelos objectivos/científicos: estudos neste sentido, demonstram que não existe qualquer correlação entre a orientação sexual dos pais e aquele seguida pela criança.
Por outro lado, escusado será referir a estatística avassaladora de casais heterossexuais, incapazes de manter uma estrutura familiar una e conveniente ao crescimento saudável de um ser-humano.
Como é sobejamente conhecido, as crianças não ouvem, observam.
Quer isto dizer, que por mais que lhes recitemos os Lusíadas, a Bíblia ou as mais eloquentes lições de vida, se não formos exemplos do que perfilhamos, qualquer palavra é oca e estéril.
É o mesmo que fazer aquele exercício de repetir 100 vezes a palavra amor: à 10ª vez, deixa de ter qualquer significado. Assim se educa uma criança: conferindo-lhe padrões sólidos e harmoniosos que possam carregar ao longo do seu percurso.
Outro elemento importante nesta discussão surge um pouco em jeito de “Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha”, sendo que nesta situação a resposta é clara e inequívoca.
Diz-nos o art. 36º, n.º 1 da Constituição que “Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.”.
Para quem possa, eventualmente, ter problemas oftálmicos, entre família e casamento, foi colocado um “E” e não um “OU”, isto é, qualquer um destes direitos é independente e sem conexão necessária.
Por outras palavras e porque o simplismo é muitas vezes o melhor aliado de quem se quer fazer entender: não há cá “casamento de penáltie”. Só marca, quem quer, porque rematar está ao acesso de qualquer um.
Para além deste pormenor linguístico, também se pode ler TODOS ao invés de OS HETEROSSEXUAIS ou os cidadão de cabelo loiro, ou, ou, ou...Creio que também este item está esgotado.
Numa altura em que cada vez menos gente se casa, pois bem, os homossexuais andam todos desertinhos para dar o nó. Vá se lá perceber. Bem vistas as coisas nem é assim tão difícil de se perceber: são diferentes e têm uma estúpida e irracional necessidade de se mostrar diferentes. Basta andar na rua para perceber que quando assumem a sua sexualidade são ostensivos nos comportamentos que têm em público - bem mais que os casais heterossexuais.”
Excelsa tertuliana, se cada vez menos gente se casa talvez se deva em larga medida, à malta de géneros opostos que arruinou sem contemplações o instituto do casamento, motivados esses sim, por um capricho adolescêntico, olvidando que votos, não são soluços de bêbedos, que divórcio não é uma muda de roupa e, como se não bastasse, que “juntar os trapinhos” não é uma questão de moda, sendo que nos dias que correm, quem casa, está logicamente out!
Nada vejo na sociedade actual que obste a que levem uma vida normal, como qualquer outro indivíduo; nada os impede de ascender a cargos políticos de relevo (a Islândia é liderada por uma mulher que sempre se assumiu homossexual e por cá, políticos homossexuais é coisa que não falta); nunca ouvi dizer que numa entrevista de trabalho questionassem a orientação sexual do candidato; nem tenho memória de haver crimes perpetrados com base na discriminação sexual (já da racial...).”
E mais uma vez não passeamos pelas mesmas ruas, porque a ostensividade que referes surge-me das mais diversas proveniências, e por uma questão de probabilidades, muitas mais vezes por parte da maioria....os heterossexuais (ou pelo menos assim os julgo...ou serão homossexuais que ainda não “saíram do armário”!?).
Se antes estamos a falar de manifestações arrojadas das mais elementares convicções, tais como gay parades e afins, por mais que não frequente, compreendo o racional que lhe subjaz: é exactamente o mesmo que levou as mulheres a queimarem soutiens, Mahatma Gandhi a passar fome e o festival de Woodstock a ser uma grande “cowboyada”.
Infelizmente andamos todos de pijama a dormitar sobre o instituído, seja ou não válido ou legítimo, doa a quem doer. De vez em quando, há que fazer “barulho” para despertar algumas consciências em profundo e ancestral estado comatoso.
Quanto ao que se passa na Islândia, acho que referir que é um estado insular poderá bastar...qualquer outra situação paralela, será igualmente uma raridade, para meu descontentamento, mas mesmo assim um caso singular.
De qualquer forma, importa atentar para o denominador comum entre esses “paraísos” da tolerância: todos eles são, unanimemente considerados pelo Mundo, como de desenvolvimento acima da média. Curioso, não?!
E, lamento desiludir, mas não nos tornamos num país progressista por permitirmos o casamento entre homossexuais. Quando muito, essa mudança pode rotular-nos de "modernaços"... mas modernidade não é necessariamente sinónimo de desenvolvimento civilizacional.”
Concordo! Mas não somos progressistas, tão somente porque preferimos ser acomodados e modernaça serei hoje, amanhã talvez não.
Quanto ao desenvolvimento civilizacional, esse oásis de contornos tão difíceis de delinearmos, este pressupõe tempo, planeamento e visão, mesmo que tenham tido origem em épocas remotas.
Fomos visionários aquando das Descobertas, hoje nem reinventarmo-nos conseguimos.
Continua a ecoar nos meus ouvidos, palavras de profunda ignorância proferidas por líderes partidários, tais como que o casamento é a fundação de uma família, porque visa a procriação e como tal, apenas se destina a pessoas de sexo oposto.
Perdoai-lhes Senhor! Que eles não sabem o que fazem! Sobretudo quando, com este admirável cliché, se apartam de realidades tão prementes como casais heterossexuais que não podem ter filhos biológicos...nesta lógica, marido e mulher infecundos, não são família, ou simplesmente, não existem socialmente.

Termino agradecendo às minhas caríssimas colegas a oportunidade de debatermos pontos de vista, sem perdermos o Norte da racionalidade.




Nota Editorial: No final do dia em porvavelmente em reconhecimento da boleia que lhe dei, a destinatária tentou oscular-me na boaca. Está explicado!:)

domingo, 8 de Novembro de 2009

Cliché nº1: "A Felicidade é um Direito"



Mentira!Redonda e perigosa, por nos atirar para um marasmo criativo, que nos torna eternos reféns da "Terra do Nunca".

Ser feliz é uma escolha que apenas vislumbramos na encruzilhada do tempo.
Raras são as ocasiões em que alguém de tenra idade ou de bagagem parca em falhas e contratempos, consegue conceber que ser feliz, não é mais que um exercício mental.
Sim!é uma ida ao ginásio intelectual ou ao spa das emoções, em que se opta pelo pack de massagens à alma, mais completo e duradouro.
E foram tantas as vezes em que preferimos a confortável sombra da dor e do desalento e mais ainda aquelas em que desacreditámos de nós a pedido dos outros, como uma espécie de prece enraizada numa religião cultural.

Um dia a cegueira deu lugar à interpidez e mais do que seguros, tornámo-nos livres.
Mas ser feliz paga-se caro. É um caminho solitário e sem certezas, que nos aparta irremediavelmente da multidão.
Por isso reitero que, ser feliz não é mais que a petulância de quem envelhece com sabedoria.
Senão vejamos: far-nos-ia algum sentido na infância não ser mais do que felizes?! Logo aqui, ser feliz não é mais que um direito adquirido.

Na adolescência por seu turno (essa palavra dispensável de qualquer dicionário pessoal!) ser feliz é uma miragem que se camufla de caos, de altivez e de tudo aquilo que nos for socialmente inculcado.

Mais tarde, numa fase de "jovens adultos", essa nova etapa de crescimente que tão convenientemente nos veio alargar o espectro da irresponsabilidade, julgamo-nos transviadamente felizes por ainda não sermos o que deveriamos ser e nos ser permitido arrogar-nos no que nos seria exigível.

Trocando tudo isto por miudos: a nossa ténue existência começa a fazer-se notar, lá para o final dos 20's, inicio dos "intas", essa idade tão assustadora quanto sábia.
É nesse momento que a ciência da vida ganha corpo e decide esboçar uma primeira fórmula de entendimento: não somos mais compelidos a "encher os chouriços" dos outros, nem a ler por uma cartilha miupe e obsoleta.
Caímos o suficiente, bebemos até perdermos os sentidos, acordámos tarde demais, esquecemo-nos do propóstio de tudo isto, beijámos excessivamente, comemos desregradamente, sentimos num diagrama sem leitura e no meio desta infame desordem, ainda nos apropriámos da temerária ideia, de sermos felizes! Que grande lata!
Somos uma geração diferente, quer queiramos, quer não.
Nem melhor, nem pior que as que nos antecederam ou sucederão naturalmente...tão naturalmente quanto os casamentos e perfilhações voluntariamente tardias ou os caprichos de quem não quis seguir por um trilho já gasto.
Colocámos as expectativas bem mais alto do que a realidade e recusámo-nos a achar conveniente a conveniência.
A rotina e o compromisso perderam o seu reinado provavelmente até à próxima geração e o risco começou a soar-nos melódico, quando comparado com as derrotas da certeza.

Tudo isto sou eu, somos nós.
E o que mais houver de irreflectivo ou desafiante, mais se esboça o caminho da nossa próxima oportunidade.
Não somos corredores de fundo, mas acredito que atletas de um pentatlo renovado pela esperança que se foi perdendo com a sede de poder.
O pior mesmo é ver-nos mergulhados nas mesmas batalhas ingloria que outrora condenámos...espectadores assiduos de um programa a preto e branco, que parecia coçado e consumido por quem nos deu, aquilo que jamais tivera.
Crescemos em redomas douradas, julgando-nos sábios na nossa razão desabitada...semeámos intenções e eis-nos de volta à encruzilhada...seria agora o momento de dar o murro na mesa e ser desavindo com o despotismo instalado.
E é aqui que radica a felicidade...na capacidade de fundirmos os recortes antigos que alguém foi juntando por nós e compor um puzzle mais justo e humanizado.
Ser feliz é o fardo dos que optam por olhar em redor, dos que não se bastam com desculpas coçadas ou com uma egolatria, tão cómoda quanto inútil.
Porque o Homem auto-suficente é um moribundo e o Homem feliz é aquele que nos deixa o seu testemunho.
Termino como comecei: ser feliz é uma escolha...a escolha dos audazes.